Para quem pretende fazer uma cirurgia, qualquer que seja, procure um médico de confiança, que você já conheça os resultados, que tenha indicação... pesquise as qualificações dele, se há algum problema em seus registros, entre no site da sociedade brasileira de cirurgia plástica... procure, pesquise, converse... tudo e mais um pouco que você possa fazer, ok!? Cirurgia é coisa séria, e toda cirurgia por menor que seja, oferece riscos!!!
Acho que essa matéria me sensibilizou mais, pois já tivemos uma situação semelhante as relatadas na família... por isso eu repito... atenção e cuidado!!!!
Dividi a reportagem em duas partes, apenas para ficar menor para colocar aqui no blog!! Amanhã entrará no ar a segunda parte!! Não deixem de ler!!!

"Vítimas da lipoaspiração
Cicatrizes horríveis, embolia pulmonar, trombose, anemia. E morte. Os riscos e os erros médicos que têm produzido tragédias reacendem o debate sobre a lipoaspiração, uma das cirurgias plásticas mais realizadas no país
Em fevereiro, a estilista americana Tameka Foster, 37 anos, mulher do rapper Usher, desembarcou em São Paulo e seguiu para a mesa de cirurgia do Hospital São Rafael. Tinha tido um bebê dois meses antes e queria eliminar medidas. Anestesiada, sofreu uma parada cardiorrespiratória. A cirurgia não foi realizada e Tameka, em coma induzido, acabou transferida para o Hospital Sírio-Libanês, onde permaneceu nove dias em tratamento e se recuperou. Dias antes, a operação da recepcionista paulista Regiane Aparecida Bauer, 27 anos, não teve o mesmo desfecho vitorioso. Em 31 de janeiro, ela enfrentou uma parada cardiorrespiratória quando completava a segunda hora sob as manobras de uma lipo. Perdeu a vida ainda na mesa cirúrgica do Hospital Máster Clin. Em 2 de março, a dona de casa paulista Adriane Mabe Iafrate, 35 anos, recebeu alta do maior hospital da América Latina, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Havia passado por uma lipoescultura, cirurgia nos lábios vaginais e implante de prótese de silicone nos seios. Dois dias mais tarde, sentindo-se mal, Adriane procurou o Hospital São Mateus, na zona leste. Morreu no dia 9 com um quadro de infecção generalizada. Os dois episódios estão sendo investigados nos distritos policiais de números 69, bairro de Sapopemba, e 49, São Mateus. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também apura a responsabilidade dos profissionais envolvidos.
Mortalidade alta
Não por acaso, a lipo é a campeã em processos ético-profissionais entre os procedimentos médicos que correm no Cremesp. Em segundo lugar, vem o silicone. Dos 289 médicos in , 38% são reincidentes. Do total, 97% são ortopedistas, ginecologistas... enfim, não têm título de especialista em cirurgia plástica. A entidade, assim como o Conselho Federal de Medicina, não divulga o número de vítimas fatais. Para os médicos, as mortes no Brasil estariam dentro das estatísticas. O parâmetro é americano e admite três óbitos a cada 100 mil cirurgias. Com base nesse dado, o Brasil preocupa, pois já estaria quase superando a marca. No ano passado, foram realizadas 92 mil lipoaspirações, em média 7,7 mil a cada mês, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que deixa fora da conta as operações feitas por médicos sem título de especialista. Se os números forem semelhantes aos de 2008, entre as mortes de Regiane e Adriane, devem ter ocorrido cerca de 15 mil lipoaspirações. Embora o Instituto Médico Legal não tenha concluído o laudo sobre a causa das mortes, em menos de dois meses perdemos na lipo – ou em decorrência dela – duas mulheres. Números são frios. A expectativa das famílias de Adriane e Regiane e da sociedade era de que elas tivessem saído do hospital para a vida.
A lipo, entre as cirurgias estéticas mais realizadas, reveza o primeiro posto com a mamoplastia. O presidente da SBCP, José Tariki, alerta para o que considera a banalização do procedimento. “A maior parte dos problemas decorre da visão simplista de que a lipoaspiração é um tratamento estético trivial para emagrecer. É totalmente errado pensar assim. Trata-se de uma cirurgia, com regras rigorosas, e só deve ser feita por especialistas.” Para receber o título, o médico deve fazer seis anos de medicina, dois de cirurgia geral e mais três de plástica. Depois, ele presta um exame e, se aprovado, é considerado especialista regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Mas quem não tem título se aventura livremente no mercado. A lei não obriga o médico a ter especialidade para atuar”, diz Lavínio Nilton Camarim, coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Cremesp. Na prática, um recém-formado, apenas com residência médica, pode fazer uma lipo.
Condenação
Marcelo Caron, condenado pela Justiça, dia 14 de abril, a oito anos de prisão em regime semiaberto, não era um especialista, tinha apenas o diploma de médico – que acabou sendo cassado. Na análise do Conselho Federal de Medicina, ele errou na indicação e na condução da lipo que matou a advogada Janet Falleiro, em Goiânia, em 2001. Caron ainda terá de pagar 30 mil reais por danos morais à família da advogada.
Outro problema apontado por Camarim: a abertura indiscriminada de escolas médicas. “Vamos levar ao Congresso Nacional uma proposta que limite a cirurgia apenas aos especializados e que crie um planejamento para a criação de faculdades”, diz. Enquanto isso não acontece, cabe à candidata à lipo redobrar a atenção. Muitas vezes, é o dinheiro curto que leva à escolha errada, como ocorreu com a comerciante paulista Sylvia Boggian, 46 anos. Num impulso, ela decidiu fazer uma lipo com o endocrinologista da amiga. “Era barato, e ele ainda dividia o valor em parcelas”, revela.
O procedimento foi feito no consultório com anestesia local. “A assistente injetou um tubo com soro e explicou que era para inchar a barriga. Depois, o médico começou a aspirar. Eu via tudo, mas fiquei zonza, minha pressão caiu. A assistente colocava sal na minha boca, dava tapas no meu rosto e o médico continuava aspirando.” Ele retirou 2 litros de gordura e Sylvia foi para casa com uma cinta. “Quando a tirei para tomar banho, notei que a gordura e o soro espirravam dos buracos – dois nas costas, dois no abdome e um perto do umbigo – por onde haviam entrado as cânulas.” Sylvia desmaiou, foi socorrida, mas ainda convive com cicatrizes, calombos enormes deixados pelo médico. Ela soube depois que ele estava fazendo um “cursinho” sobre lipo. “Fui cobaia dele e quase perdi a vida.”
Riscos grandes
A paciente deve ser alertada pelo médico de que a lipo, como qualquer outra cirurgia, apresenta muitos riscos. Pode ocorrer embolia pulmonar, complicações com anestesia e infecções, entre outros problemas”, afirma o médico Jorge Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Minas Gerais. Para evitar a embolia, conta pontos a habilidade do cirurgião. “Se a cânula machucar o vaso, soltam-se partículas de gordura que trafegam pelo organismo e chegam ao pulmão, entupindo artérias e levando à falência do órgão”, explica Menezes.
Antes da cirurgia, é necessário passar por uma bateria de exames, de hemograma a eletrocardiograma, para minimizar as intercorrências. Verificamos também se há histórico de problemas vasculares na família, como varizes”, diz o cirurgião plástico Alan Landecker. “Peço às pacientes que parem de tomar a pílula de duas a quatro semanas antes da cirurgia.” O anticoncepcional, explica ele, contém substâncias com poder para aumentar o risco de formação de coágulos, que, em geral, interferem na circulação sanguínea, levando à trombose. Outra medida é o uso de meias de compressão pneumáticas, acionadas por um aparelho durante a cirurgia, para evitar a soltura de trombos.
Segundo levantamento da SBCP, 98% dos médicos ligados à entidade adotam as medidas preventivas. Por isso, a paciente deve verificar se o profissional escolhido está na lista da Sociedade (www.cirurgiaplastica.org.br). Pode pedir sugestão de nomes para médicos de confiança e ainda conversar com pessoas que já foram operadas pelo indicado”, recomenda Tariki. Além disso, a paciente deve recusar o procedimento em consultório. “Lipoaspiração se faz em hospitais e clínicas com alvará de funcionamento para procedimentos cirúrgicos, emitidos pelos órgãos de vigilância sanitária”, explica. Alan Ladecker sugere mais uma precaução: “Só operar em hospitais com excelente controle de infecção”...
OBS: Não encontrei o nome do autor da matéria no site, mas os créditos são todos da Revista Cláudia no link: http://claudia.abril.com.br/materias/3689/?pagina1&sh=33&cnl=43&sc=
Amanhã a continuação... ****
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